Sertão em Destaque já havia publicado a checagem antes das verificações dos dois veículos; imagem foi criada com inteligência artificial e circulou nas redes sociais com uma falsa identificação do g1.
A imagem que circulou nas redes sociais mostrando uma mulher supostamente rasgando uma bandeira com a representação de Nossa Senhora Aparecida durante um ato de apoio a Flávio Bolsonaro (PL), em Belo Horizonte (MG), é falsa. O caso foi verificado pelo g1, por meio do projeto Fato ou Fake, e pela Agência Lupa, que identificaram indícios de que a imagem foi produzida com inteligência artificial (IA).
O conteúdo viralizou nas redes sociais acompanhado de uma suposta reportagem com a logomarca do g1. A publicação afirmava que uma apoiadora do senador teria sido flagrada rasgando a bandeira durante a manifestação. No entanto, o próprio portal negou ter publicado a imagem ou a reportagem atribuída a ele.
G1 classifica conteúdo como falso
Em reportagem publicada em 25 de outubro de 2026, o g1 classificou a imagem como falsa. Segundo o Fato ou Fake, o material foi submetido a ferramentas de detecção de conteúdo gerado por inteligência artificial.
A análise realizada com a tecnologia de identificação de conteúdo sintético da OpenAI apontou sinais de geração por ferramentas da empresa. Já a ferramenta Sightengine indicou 96% de probabilidade de a imagem ter sido criada por IA.
O portal também esclareceu que a suposta reportagem não foi publicada em seu site nem em suas redes sociais. Portanto, a utilização de sua logomarca na imagem não comprova a autenticidade do conteúdo.
Confira a checagem do g1: É #FAKE foto de mulher rasgando bandeira de Nossa Senhora Aparecida.
Agência Lupa também aponta falsidade
A Agência Lupa também verificou o conteúdo e concluiu que a imagem é falsa. De acordo com a agência, a fotografia foi gerada por inteligência artificial, e buscas no site do g1 não localizaram a suposta reportagem sobre o episódio.
A Lupa informou ainda que a ferramenta de verificação de imagens da OpenAI identificou o uso de tecnologia da empresa na produção do conteúdo. Uma análise adicional feita com o Gemini, assistente de inteligência artificial do Google, também apontou características artificiais, incluindo inconsistências nos rasgos da bandeira e distorções em elementos das pessoas que aparecem ao fundo.
A agência também relatou que buscas em mecanismos de pesquisa não encontraram cobertura independente que confirmasse o suposto episódio.
Confira a verificação da Agência Lupa: Agência Lupa.
Sertão em Destaque já havia desmentido a imagem
O Sertão em Destaque publicou sua própria checagem em 25 de outubro, antes das verificações divulgadas pelos dois veículos. Na reportagem, o portal analisou a imagem que circulava nas redes e apontou fortes indícios de que ela havia sido produzida por inteligência artificial.
Na ocasião, ferramentas de detecção apresentaram os seguintes resultados:
- Hive Detect: 99,9% de probabilidade de geração por inteligência artificial.
- ZeroGPT: 99% de probabilidade de a imagem ter sido produzida por IA.
A checagem também destacou a ausência de autoria, de registro fotográfico original e de um vídeo que comprovasse a cena. Além disso, uma versão da imagem circulava sem a logomarca do g1, indicando que a identificação do portal foi acrescentada posteriormente em outra versão.
A reportagem do Sertão em Destaque também registrou que a imagem foi compartilhada pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), que afirmou, em publicação nas redes sociais, que o episódio não seria fake news. O portal informou que procurou a assessoria do parlamentar e aguardava retorno no momento da publicação.
Leia a checagem publicada pelo Sertão em Destaque: É fake: imagem de bandeira de Aparecida rasgada em ato de Flávio foi gerada por IA.
Imagem falsa circulou em meio à disputa eleitoral
A circulação do conteúdo ocorreu após um ato de apoio a Flávio Bolsonaro em Belo Horizonte, realizado no sábado (24). A associação da imagem ao evento contribuiu para que a publicação fosse compartilhada como se registrasse um fato real.
O caso reforça a importância de verificar a origem de imagens e reportagens que circulam nas redes sociais, especialmente quando apresentam logomarcas de veículos de comunicação conhecidos, mas não trazem autoria, fonte verificável ou link para a publicação original.
Até o momento, as verificações citadas não encontraram evidências de que a cena tenha ocorrido. A imagem foi identificada como produzida por inteligência artificial, e a suposta reportagem atribuída ao g1 não é autêntica.


