quinta-feira, abril 23, 2026
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Ministério Público instaura inquérito para apurar possível “funcionário fantasma” na Prefeitura de São Mamede

Investigação apura suspeita de improbidade administrativa envolvendo servidor municipal que atuaria como artista fora do Estado durante o expediente

O Ministério Público do Estado da Paraíba (MPPB) instaurou um Inquérito Civil para investigar a suposta prática de improbidade administrativa envolvendo o servidor municipal José Jobim Araújo Castro e a Prefeitura de São Mamede/PB. A investigação foi formalizada por meio de Portaria de Instauração, assinada pelo promotor de Justiça Caio Terceiro Neto Parente Miranda.

De acordo com o documento, a apuração teve início a partir da Notícia de Fato nº 001.2025.112170, registrada em novembro de 2025, que aponta indícios de que o servidor, ocupante do cargo de Orientador Social, se ausentava com frequência do município e até do Estado da Paraíba para realizar apresentações artísticas, atuando como integrante de banda de forró, o que seria incompatível com o cumprimento da carga horária exigida para o cargo público.

Segundo o Ministério Público, há fortes indícios de que o servidor teria recebido remuneração normalmente mesmo sem o efetivo exercício das funções, situação que, em tese, pode caracterizar o chamado “funcionário fantasma”, prática que viola princípios constitucionais da Administração Pública, como legalidade, moralidade, impessoalidade e eficiência.

Durante as diligências preliminares, o MP requisitou à Prefeitura de São Mamede documentos como registros de ponto, ficha funcional e contracheques do servidor. Em resposta, o município informou a rescisão unilateral do contrato de trabalho, além de encaminhar comprovantes de pagamento. No entanto, a Promotoria entendeu que as informações apresentadas demandam aprofundamento investigativo, especialmente porque os contracheques indicariam diferentes cargos e matrículas em períodos distintos, como “Coordenador de Lazer” e “Orientador Social”.

Com a instauração do Inquérito Civil, o Ministério Público determinou novas providências, incluindo a expedição de ofício requisitório à Prefeitura para que apresente, no prazo de 15 dias, todos os registros de frequência e comprovantes de pagamento do servidor desde o início do vínculo até a rescisão.

O procedimento terá duração inicial de 365 dias, podendo ser prorrogado por igual período, e tem como objetivo apurar eventual dano ao erário, além de identificar a responsabilidade do servidor e de possíveis agentes públicos que tenham concorrido para as irregularidades.

Ao final da investigação, caso sejam confirmadas as irregularidades, o Ministério Público poderá adotar medidas judiciais cabíveis, como o ajuizamento de Ação Civil Pública por ato de improbidade administrativa.

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