Uma situação envolvendo o atendimento a uma criança de 2 anos no Hospital e Maternidade Ana Bezerra de Almeida, em Santana do Seridó, gerou repercussão na noite do último sábado (16).
Segundo relato da mãe, desde a terça-feira (12), o filho apresentava febre alta, chegando a quase 40 graus. A família buscou atendimento no hospital por três vezes ao longo da semana. A mãe afirma que, mesmo diante da persistência da febre, os médicos apenas prescreviam medicações sem solicitar exames complementares. Na última visita, a médica de plantão teria orientado procurar a Secretaria de Saúde na segunda-feira (18) para realização de um raio-x, diante da suspeita de complicações pulmonares.
Preocupada com a possibilidade de pneumonia e sem observar melhora, a mãe procurou atendimento particular. O médico consultado teria confirmado a suspeita, prescrito medicações injetáveis e recomendado a realização imediata de exames de imagem, além de acompanhamento hospitalar.
Ainda de acordo com a família, após realizar o exame em Parelhas e retornar ao hospital, a médica de plantão confirmou o diagnóstico de pneumonia, mas afirmou que não seria necessário internamento, autorizando a continuidade do tratamento em casa. A mãe alega que voltou a buscar orientação particular, quando recebeu a recomendação de reforçar a medicação com as injeções. Ao retornar ao hospital para solicitar a aplicação, houve divergência entre familiares e equipe de saúde quanto ao protocolo de atendimento.
Durante o episódio, o irmão da mãe, que segundo familiares faz uso de medicação psiquiátrica, se exaltou diante da negativa da equipe em aplicar as medicações prescritas no consultório particular. Ele acabou quebrando uma cadeira durante o momento de tensão. A situação se agravou quando a Polícia Militar foi acionada. Familiares afirmam que, mesmo após o homem estar mais calmo, houve uso de força por parte de policiais, fato que teria sido registrado em vídeo por uma médica presente no local.
Versão do hospital
O Hospital e Maternidade Ana Bezerra de Almeida divulgou nota informando que a equipe seguiu os protocolos de atendimento, não sendo possível aplicar medicações de receitas particulares sem avaliação própria.
“O acompanhante de paciente causou tumulto no hospital após tentar intervir na conduta médica da equipe de plantão. Ele apresentou uma receita de consultório particular e exigia a aplicação de medicamentos injetáveis sem passar pelo protocolo da unidade. Diante dos fatos, o acompanhante desacatou os profissionais e danificou patrimônio público”, diz o comunicado.
A direção também publicou nota de repúdio:
“Reforçamos que atitudes de violência e desacato comprometem o atendimento à população e não serão toleradas. Todas as medidas legais já estão sendo adotadas junto às autoridades competentes. Nosso compromisso permanece firme: garantir um ambiente de trabalho seguro aos profissionais e oferecer assistência de qualidade e respeito aos pacientes.”
O que dizem as normas
Protocolos de segurança da Anvisa determinam que hospitais administrem medicamentos apenas mediante prescrição realizada pela própria equipe, após avaliação clínica e registro no prontuário, como medida de prevenção de riscos. A legislação brasileira (Lei nº 12.842/2013 – Ato Médico) assegura autonomia técnico-científica ao médico para definir a conduta adequada em cada caso.
Em pediatria, a radiografia de tórax é indicada quando há suspeita de complicações ou evolução desfavorável, e o tratamento domiciliar pode ser adotado em casos sem sinais de gravidade, conforme diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria e da estratégia AIDPI do Ministério da Saúde.
Contexto político
Moradores ouvidos pela reportagem afirmaram que questões políticas ainda influenciam debates sobre a saúde no município desde a última eleição. Nesse contexto, citaram que a médica particular consultada pela mãe chegou a disputar um pleito eleitoral. O Sertão em Destaque ressalta que não há comprovação de relação entre a atuação médica no caso e esse cenário político.
O caso segue repercutindo, e familiares informaram que devem buscar providências legais tanto em relação à condução do atendimento quanto à atuação da polícia.
