A deputada estadual Cida Ramos (PT-PB) fez duras declarações nesta semana que evidenciam um possível afastamento político do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) e do prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos). A reação da parlamentar veio após a polêmica envolvendo a quebra de acordo sobre o decreto do IOF, que gerou desconforto no Palácio do Planalto e forte repercussão nos bastidores políticos da Paraíba.
Durante entrevista, Cida foi direta ao afirmar que a população “não aceita sinais de deslealdade”. A frase foi interpretada como um recado claro ao grupo político aliado a Hugo Motta, que foi acusado pelo presidente Lula de romper um acordo firmado em sua própria residência, em Brasília.
“O povo brasileiro não aceita esse tipo de política que apresenta surpresas e talvez até sinais de deslealdade”, afirmou Cida Ramos, referindo-se ao episódio.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em pronunciamento, também se mostrou indignado com a postura do presidente da Câmara dos Deputados. Segundo ele, o acordo teria sido fechado no domingo à meia-noite com a presença de ministros e do titular da Fazenda, Fernando Haddad, mas foi desrespeitado na terça-feira.
“O descumprimento de um acordo que tinha sido feito no domingo à meia-noite… Quando chega na terça-feira, o presidente da Câmara tomou uma decisão que eu considero absurda”, disse Lula.
Nos bastidores, aliados de Cida Ramos avaliam que o episódio pode comprometer futuras alianças políticas nas eleições de 2026, tanto no campo estadual quanto nas disputas municipais. A fala da deputada é interpretada como uma tentativa de marcar posição e reafirmar sua fidelidade ao projeto liderado por Lula.
Ainda não há clareza sobre os desdobramentos diretos da crise no cenário político paraibano, mas os primeiros sinais indicam uma reorganização estratégica nas bases governistas, especialmente entre aqueles que avaliam possíveis rompimentos com aliados considerados instáveis.


