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Divergências políticas na família de Pinto do Acordeon podem gerar insegurança entre eleitores

Cicinho, Samuel, Mô Lima e outros integrantes da família seguem caminhos políticos diferentes em 2026; mudanças de posicionamento reacendem debate sobre coerência e identidade política

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Divergências políticas na família de Pinto do Acordeon podem gerar insegurança entre eleitores

A eleição de 2026 está colocando em evidência uma situação que chama atenção no cenário político de Patos: os diferentes posicionamentos adotados por integrantes da família do saudoso cantor e político Pinto do Acordeon.

Conhecida pela forte presença na cultura e também na política paraibana, a família passou a apresentar, nos últimos anos, diferentes alinhamentos partidários e eleitorais.

O cenário envolve Cicinho Lima, Samuel Pinto, Mô Lima e Priscila Lima, conhecida como Baronesa, que atualmente aparecem próximos de grupos políticos distintos.

A situação, por si só, não significa necessariamente rompimento familiar. O próprio Cicinho Lima afirmou recentemente que respeita as escolhas políticas dos familiares e negou que exista uma divisão definitiva dentro da família.

Mas, do ponto de vista eleitoral, as diferenças de posicionamento levantam uma questão: até que ponto mudanças frequentes de grupo podem influenciar a percepção do eleitor sobre a identidade política de uma família tradicionalmente conhecida na região?

De um grupo político a diferentes caminhos

A trajetória recente dos integrantes da família mostra que não existe hoje uma posição política única.

Cicinho Lima está na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa pelo Republicanos e mantém alinhamento com o grupo político do governador Lucas Ribeiro.

Samuel Pinto, que assumiu uma cadeira na Câmara Municipal de Patos em 2025, passou a manifestar apoio a Cícero Lucena, posicionamento diferente do adotado pelo irmão. Registros da época em que Samuel assumiu o mandato também apontavam uma aproximação com o grupo formado por Cicinho, Nabor Wanderley e João Azevêdo.

Já Mô Lima também construiu seu próprio caminho político, enquanto Priscila Lima, a Baronesa deve se aproximar de Cícero Lucena. Em uma publicação no Instagram, o vereador Mô Lima deu a entender que irá apoiar Eduardo Carneiro a deputado estadual.

O resultado é uma família que, eleitoralmente, não atua mais necessariamente em torno de um mesmo projeto.

Mô Lima declara apoio a Eduardo Carneiro?

Cicinho também já passou por mudanças de posicionamento

A discussão não se restringe aos demais integrantes da família.

A própria trajetória política de Cicinho Lima apresenta mudanças importantes nos últimos anos.

Em 2022, ele esteve ligado ao PL e ao grupo de Jair Bolsonaro. Posteriormente, aproximou-se do grupo do governador João Azevêdo e chegou a ocupar a Secretaria Executiva de Cultura da Paraíba.

A nomeação, inclusive, provocou reação de parte do setor cultural, com artistas realizando manifestações e organizando abaixo-assinado contra sua indicação.

Mais tarde, Cicinho passou a defender o projeto político de Lucas Ribeiro e atualmente busca retornar à Assembleia Legislativa.

Essas mudanças não significam necessariamente incoerência — alianças políticas podem mudar e candidatos podem rever suas posições. Entretanto, quando essas mudanças acontecem sucessivamente, podem alimentar questionamentos entre eleitores sobre qual grupo ou projeto determinado político representa.

O caso de Samuel e a nova divergência com os Domiciano

A situação ganhou outro elemento recentemente com as manifestações públicas de Samuel Pinto contra Segundo Domiciano e integrantes da família Domiciano.

O episódio chama atenção pelo histórico de proximidade entre os grupos.

Pinto do Acordeon manteve relações políticas e pessoais com diferentes lideranças da região, incluindo integrantes da família Domiciano.

Agora, entretanto, Samuel passou a adotar uma postura crítica em relação ao grupo.

A divergência ocorre justamente em um momento em que Segundo Domiciano vem ampliando sua presença política em Patos e em outras regiões do Sertão.

Uma pesquisa DataDucks/Patos Online realizada em novembro de 2025 colocou Segundo com 10,12% das intenções de voto para deputado estadual em Patos, enquanto Cicinho apareceu com 8,12%. O levantamento ouviu 800 eleitores e tinha margem de erro de 4,87 pontos percentuais.

O resultado é apenas um retrato daquele momento e não permite afirmar quem terá maior votação em 2026. Ainda assim, mostra que os dois nomes já apareciam próximos na disputa pelo eleitorado patoense.

Segundo também vem anunciando novas adesões políticas em Patos e outros municípios do Sertão.

É nesse contexto que as críticas de Samuel ao grupo Domiciano ganham maior repercussão política.

Não é possível afirmar, contudo, que as manifestações de Samuel sejam motivadas exclusivamente pelo crescimento eleitoral de Segundo. Essa seria uma interpretação sem comprovação. O que pode ser constatado é que a divergência ocorre em meio a uma disputa cada vez mais acirrada por espaço político na região.

A pergunta que fica para o eleitor

O ponto central não é simplesmente saber quem mudou de lado.

A questão que pode surgir para o eleitor é outra:

Quando um político muda repetidamente de grupo, isso demonstra capacidade de adaptação política ou transmite falta de clareza sobre suas convicções?

A resposta depende naturalmente de cada eleitor.

Para alguns, mudar de posição pode representar amadurecimento político, mudança de opinião ou adequação a uma nova realidade.

Para outros, sucessivas mudanças podem gerar desconfiança sobre a estabilidade das alianças e dos compromissos assumidos durante uma campanha.

No caso da família Pinto do Acordeon, essa discussão ganha uma dimensão maior justamente pela importância histórica de Pinto, que construiu uma trajetória que uniu música, cultura e política.

O legado de Pinto e uma família politicamente fragmentada

Pinto do Acordeon foi vereador de João Pessoa e construiu uma trajetória política paralela à carreira artística.

Após sua morte, em 2020, seus familiares passaram a construir suas próprias trajetórias.

A eleição de 2026 mostra uma realidade diferente daquela que muitos eleitores estavam acostumados a associar ao nome Pinto do Acordeon: seus familiares estão presentes em diferentes espaços e apoiando diferentes projetos políticos.

Isso não significa necessariamente uma ruptura pessoal entre eles.

O próprio Cicinho afirmou que considera legítimas as escolhas dos familiares e acredita que a família pode chegar a um entendimento político.

Mas, eleitoralmente, a fragmentação é evidente.

E caberá ao eleitor decidir se essas diferenças representam pluralidade de opiniões dentro de uma família ou falta de estabilidade política de seus integrantes.

No fim, serão as urnas que mostrarão qual percepção prevaleceu.


Fontes consultadas

Fontes: Fonte83, Blog do Jordan Bezerra, Patos Online, registros públicos eleitorais e declarações públicas dos envolvidos.

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