A ultima semana foi marcada por um revés político para o ex-prefeito de Santa Luzia e pré-candidato a deputado estadual, Zezé (Republicanos). Em meio às articulações visando as eleições de 2026, ele perdeu o apoio do presidente da Câmara Municipal de Várzea, Francisco Lindeildo, mais conhecido como Tico, também filiado ao Republicanos.
O rompimento ganhou contornos públicos após Tico oficializar sua parceria política com o secretário de Estado da Administração e também pré-candidato a deputado estadual, Tibério Limeira. Como demonstração clara desse novo alinhamento, Tibério esteve presente na sessão de encerramento dos trabalhos legislativos e na confraternização da Câmara de Várzea, realizadas na última segunda-feira (15).
A mudança de posição de Tico representa um desgaste significativo para Zezé, sobretudo por ocorrer em um momento estratégico de consolidação de bases eleitorais no Sertão. O episódio evidencia dificuldades do ex-prefeito em manter alianças locais dentro do próprio partido.
O cenário atual contrasta com as eleições de 2022, quando Zezé optou por lançar o próprio filho, Alexandre de Zezé, como candidato a deputado estadual pelo Republicanos. Naquele pleito, Alexandre obteve 774 votos, desempenho insuficiente para garantir uma vaga, ficando apenas na suplência da legenda.
Na mesma eleição, o grupo político ligado ao então prefeito apoiava Júnior Araújo, que somou 675 votos. No entanto, a base governista encontrava-se dividida, já que parte do grupo, filiada ao União Brasil, direcionou votos para George Morais, que alcançou 116 votos em Várzea. Essa fragmentação acabou enfraquecendo o campo situacionista.
O quadro político sofreu nova reviravolta após as eleições municipais de 2024, quando a situação foi derrotada nas urnas. Desde então, houve uma inversão de forças: setores que antes apoiavam Alexandre passaram a defender diretamente a pré-candidatura de Zezé, agora como cabeça de chapa. Contudo, os acontecimentos recentes demonstram que essa adesão não se consolidou de forma homogênea, resultando em novas divisões internas.
Enquanto isso, a oposição, liderada pelo ex-prefeito Toninho, conseguiu construir um movimento de unificação em torno do pré-candidato Segundo Domiciano, ex-prefeito de São José do Sabugi, fortalecendo um projeto político mais coeso e organizado para 2026.
Análise política: o que esperar para 2026?
O cenário atual aponta para uma eleição altamente fragmentada, com três elementos centrais:
- Enfraquecimento das alianças tradicionais
Zezé enfrenta dificuldades em manter apoios estratégicos, inclusive dentro do Republicanos. A perda de Tico que obteve 191 votos em 2024 em Várzea é simbólica e pode estimular novos desembarques, sobretudo se o grupo não demonstrar capacidade de crescimento regional. - Reorganização da oposição
Diferentemente do campo situacionista, a oposição mostra maior capacidade de articulação. A união em torno de Segundo Domiciano indica maturidade política e pode resultar em melhor desempenho eleitoral, especialmente em municípios onde a divisão do voto foi decisiva em pleitos anteriores. - Disputa voto a voto no Sertão
Os números de 2022 revelam um eleitorado altamente pulverizado. Em um cenário semelhante, a unidade política pode ser mais decisiva que a força individual dos nomes. Quem conseguir manter alianças sólidas e reduzir dissidências tende a sair em vantagem.
Em síntese, se a fragmentação persistir no grupo ligado a Zezé e o campo oposicionista mantiver a coesão, o pleito de 2026 pode marcar uma mudança significativa no mapa político regional, com reflexos diretos na composição da Assembleia Legislativa da Paraíba.


