OURO BRANCO (RN) – A atuação da Rádio Cabugi do Seridó voltou a gerar questionamentos no cenário político de Ouro Branco após a publicação de uma matéria criticando nomeações realizadas pelo prefeito eleito, Amariudo Santos (PP), na formação de sua equipe de governo.
O debate surge poucas semanas depois de um episódio que repercutiu durante a eleição suplementar realizada no município. Na ocasião, uma publicação da própria emissora apresentou uma inconsistência que chamou a atenção dos internautas: enquanto a imagem e o título anunciavam a vitória de Amariudo Santos, o texto da postagem informava que a vencedora teria sido a candidata Dra. Fátima.
O conteúdo precisou ser corrigido posteriormente, mas o caso levantou questionamentos sobre os critérios adotados na divulgação das informações eleitorais.

Outro ponto que vem sendo lembrado por apoiadores do atual prefeito é a divulgação, dias antes da eleição, de pesquisa eleitoral que apontava vantagem para a candidata adversária. O levantamento indicava Dra. Fátima com 53,42% dos votos válidos, contra 46,58% de Amariudo. No entanto, o resultado oficial das urnas apresentou cenário diferente: Amariudo foi eleito com 1.971 votos (50,22%), enquanto Dra. Fátima obteve 1.954 votos (49,78%), uma diferença de apenas 17 votos.
Embora divergências entre pesquisas e resultados eleitorais possam ocorrer dentro das margens estatísticas e não representem, por si só, qualquer irregularidade, o contraste entre os números divulgados e o resultado final passou a ser citado por setores da população ao analisar a cobertura política da emissora.
Direito de nomear auxiliares
A nova polêmica envolve matéria publicada pela Rádio Cabugi questionando a nomeação de aliados políticos para cargos na administração municipal.
Especialistas em Direito Administrativo lembram, entretanto, que a escolha de ocupantes de cargos comissionados é prerrogativa legal do chefe do Poder Executivo, desde que observados os requisitos previstos na legislação e os princípios constitucionais da administração pública.
No caso citado pela emissora, não há, até o momento, decisão judicial que impeça as nomeações mencionadas. A legislação brasileira estabelece que restrições decorrentes de processos eleitorais possuem limites definidos em lei e devem ser analisadas conforme cada situação específica.
Debate sobre imparcialidade
O episódio reacendeu discussões sobre o papel da imprensa na cobertura política municipal, especialmente em cidades de pequeno porte, onde veículos de comunicação frequentemente mantêm relações institucionais históricas com administrações públicas.
Registros públicos mostram que, em anos anteriores, a Prefeitura de Ouro Branco utilizou espaço na Rádio Cabugi para divulgação de ações governamentais por meio de programas institucionais.
Embora parcerias dessa natureza sejam comuns na comunicação pública, críticos defendem que a imprensa deve preservar a independência editorial e garantir tratamento equilibrado aos diferentes grupos políticos.
Liberdade de imprensa e responsabilidade
A liberdade de imprensa é um dos pilares da democracia e garante aos veículos de comunicação o direito de fiscalizar gestores públicos e noticiar fatos de interesse coletivo. Da mesma forma, a sociedade possui o direito de questionar informações, cobrar transparência e avaliar a credibilidade das fontes de informação que consome.
Em Ouro Branco, o debate permanece aberto. Enquanto a Rádio Cabugi mantém sua linha editorial crítica em relação à nova gestão, apoiadores do prefeito Amariudo Santos defendem que a emissora deveria primeiro esclarecer episódios ocorridos durante a cobertura da eleição suplementar antes de assumir protagonismo nas críticas à administração municipal.