O Brasil, sexto maior produtor de cacau do mundo, vai sediar pela primeira vez o Salon du Chocolat em formato completo — e a cidade escolhida foi Salvador (BA). O maior evento dedicado a cacau e chocolate do planeta acontece entre os dias 10 e 13 de dezembro, no Centro de Convenções de Salvador, tornando o país o primeiro da América Latina a receber a feira nesse formato.
Depois de uma 30ª edição marcante em Paris e passagens por capitais como Tóquio, Dubai e Nova York, o Salon confirma a Bahia — estado que se destaca na produção e exportação de cacau — como sede da nova parada internacional do evento.
Cacau fino da Bahia no centro dos negócios globais
O evento deve reunir centenas de produtores bean to bar e tree to bar, marcas de todas as regiões do Brasil, países das Américas e de continentes como África, Ásia e Europa, além de autoridades, empresários, fabricantes, especialistas, chefs e entusiastas da confeitaria. Com compradores, chocolatiers e indústrias presentes, a expectativa é que o produtor deixe de vender apenas commodity e passe a vender origem, história e qualidade — o que se traduz em preços melhores e contratos de longo prazo.
Segundo a organização, o evento é importante para o país por reunir economia, imagem e futuro do setor em um só espaço: gera renda para quem produz, coloca o cacau fino baiano e amazônico no radar de compradores globais, movimenta hotelaria, restaurantes e transporte, e expõe o consumidor brasileiro a chocolates de maior qualidade, com origem única. A organização também destaca o potencial de o Brasil deixar de ser visto apenas como exportador de matéria-prima para se firmar como país que cria tendência, técnica e marca, com atenção especial à sustentabilidade da produção na Amazônia e na Mata Atlântica, ao intercâmbio técnico entre profissionais de diferentes países e à geração de negócios entre pequenos produtores e grandes marcas.
Nova lei do cacau valoriza produto brasileiro
A vinda do Salon coincide com uma mudança importante na legislação do setor: a Lei nº 15.404/2026, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, eleva para 35% o teor mínimo de sólidos de cacau para que um produto possa ser chamado de chocolate (25% no caso do chocolate ao leite), dispensando termos como “amargo” e “meio amargo” em favor da concentração do fruto informada na embalagem. A norma entra em vigor em maio de 2027.
Para Marco Lessa, CEO da MVU Empreendimentos — empresa responsável pela edição brasileira do Salon —, a lei é uma vitória para a cadeia produtiva. “Até 2009 nenhuma embalagem de chocolate no Brasil tinha o nome, percentual ou desenho do cacau, deixando a matéria-prima como coadjuvante. Hoje, graças ao movimento Pró-Cacau e ao engajamento de produtores e instituições, conseguimos ajudar a mudar profundamente esse cenário”, afirma.
Programação reúne gastronomia, moda e arte em chocolate
A programação do Salon du Chocolat Brasil deve seguir o modelo internacional do evento, com foco na cultura do cacau de origem. A primeira atração confirmada é o chef francês Guillaume Gomez, Embaixador da Gastronomia Francesa, que atuou por mais de 30 anos como chef executivo do Palácio do Eliseu, preparando refeições para quatro presidentes da França, incluindo o atual, Emmanuel Macron. Gomez assume papel institucional na edição brasileira, e uma Cozinha Show reunirá chefs e chocolatiers nacionais e internacionais.
Outra atração é o Desfile de Moda em Chocolate, com looks avant-garde construídos à base de cacau e chocolate, assinados por artesãos e chocolatiers. O evento também terá Esculturas de Chocolate retratando biomas, fauna e cultura popular brasileiros em tamanho real, com peças de artistas como Léo Vilela, já conhecido por criações em edições do Salon em Paris. Uma grande Feira de Produtos ocupará a área principal do Centro de Convenções, com negócios, exposição, degustação e programação técnica.
Rodadas de negócios e visitas técnicas ao sul da Bahia
A programação técnica deve reunir produtores, marcas e investidores em painéis e fóruns sobre o futuro do cacau, tendências do setor, sustentabilidade, origem e inovação, além de rodadas de negócios (B2B) voltadas ao mercado internacional. Segundo a MVU Empreendimentos/Grupo M21, responsável por trazer o evento ao país, os investimentos na edição brasileira somam mais de € 1,5 milhão (cerca de R$ 10 milhões), com expectativa de multiplicar esse valor em negócios diretos e futuros.
Após o encerramento, em 13 de dezembro, a organização deve promover visitas técnicas ao sul da Bahia, um dos principais polos cacaueiros do país e berço da cabruca — modelo de cultivo do cacau sob a sombra da Mata Atlântica. O roteiro deve incluir a Estrada de Chocolate, com passagens por fazendas, áreas rurais produtoras e fábricas, além da cidade de Ilhéus, reconhecida como a Capital Nacional da Rota do Cacau e do Chocolate.
Quem é Marco Lessa, o brasileiro que trouxe o Salon ao país
Nascido em Guanambi, no alto sertão baiano, Marco Lessa se mudou ainda adolescente para Ilhéus, no sul do estado, onde teve o primeiro contato com o universo do cacau. Formado em publicidade, ele integrou a equipe de produção local da novela “Renascer”, da Rede Globo (1993), gravada nas fazendas cacaueiras da Bahia, e criou no fim dos anos 1990 a empresa de eventos MVU Empreendimentos, em meio à crise provocada pela praga da vassoura-de-bruxa na lavoura baiana.
Em 2009, Lessa realizou a primeira edição do Chocolat Festival, em Ilhéus, com apenas 13 estandes. Hoje o evento é considerado o maior do segmento na América Latina, com 49 edições no Brasil e no exterior, reunindo mais de 500 marcas, 350 expositores por edição e um público acumulado de mais de 1,2 milhão de pessoas. Lessa também criou o Origem Week, voltado à agricultura familiar e ao turismo baiano, hoje realizado também em Brasília, Altamira, Portugal e Bélgica, e já foi citado três vezes entre os cem empresários mais influentes do agronegócio brasileiro pela revista Agroworld.
“Uma honra trazer o Salon du Chocolat para o Brasil com uma edição completa, histórica e definitiva — e na Bahia, a terra do cacau. Após 15 anos de parceria com o Brasil, com a Bahia presente graças à determinação e visão do Governo do Estado, e da presença consolidada nas maiores capitais do mundo — Paris, Nova York, Xangai, Tóquio —, o Salon coloca o país no calendário oficial com uma edição própria no destino que é, afinal, a grande origem do cacau”, afirma Lessa.
Bahia amplia protagonismo no mercado internacional
Líder em exportação e segundo maior produtor de cacau do Brasil, a Bahia deixou nas últimas décadas o papel de simples fornecedora de matéria-prima para investir no beneficiamento completo do produto, transformando-o em chocolate, manteiga, cacau em pó, nibs, mel e itens cosméticos e farmacêuticos. O estado vem sendo reconhecido como uma das promessas na produção de chocolates finos, impulsionado pelo movimento bean-to-bar (do grão à barra) e por eventos como o Chocolat Festival e o Origem Week, que ajudaram a internacionalizar o cacau produzido na região.
Segundo a organização, o Pará e a Bahia respondem juntos por mais de 80% da produção nacional de cacau, e Marco Lessa lidera anualmente missões internacionais de valorização da origem e da sustentabilidade do cacau brasileiro — a mais recente, em 2025, durante o Salon du Chocolat de Paris, quando o Brasil foi recebido como País de Honra e a comitiva nacional gerou cerca de 5 milhões de euros em potenciais negócios com o mercado francês.
Serviço
- O quê: Salon du Chocolat Brasil
- Quando: 10 a 13 de dezembro de 2026
- Onde: Centro de Convenções de Salvador (BA)
- Mais informações: perfil oficial do evento no Instagram (@salonduchocolatbrasil)
Com informações da assessoria de imprensa do Salon du Chocolat Brasil.


