Disputa antecipada, mas com lições do passado
A corrida pelo Senado Federal na Paraíba em 2026 começa a ganhar forma ainda a quase um ano do pleito, mas o cenário atual exige cautela e, sobretudo, memória política. Diferente de outras disputas majoritárias, a eleição para o Senado possui uma característica decisiva: cada eleitor tem direito a dois votos, fator que historicamente redefine resultados e pode novamente surpreender.
Hoje, o campo da situação trabalha com a pré-candidatura de Lucas Ribeiro ao Governo do Estado, enquanto apresenta João Azevêdo e Nabor Wanderley como nomes ao Senado. Do outro lado, a oposição está dividida entre Cícero Lucena, que lidera as pesquisas para o governo, e Efraim Filho, que também se coloca na disputa, mas sem um desenho fechado para o Senado.
O que dizem as pesquisas — e quando elas foram feitas
A mais recente Pesquisa Real Time Big Data, divulgada em 02 de dezembro de 2026, aponta João Azevêdo (PSB) na liderança da corrida ao Senado, com 30% das intenções de voto, seguido por Veneziano Vital do Rêgo (MDB), com 22%. Na sequência aparecem Marcelo Queiroga (14%), Nabor Wanderley (9%) e Major Fábio (5%). Brancos e nulos somam 12%, enquanto 8% não responderam.
O dado que precisa ser destacado, porém, é o momento da pesquisa: ela foi divulgada quase um ano antes da eleição, quando chapas ainda não estão consolidadas, apoios regionais seguem em negociação e o eleitor médio ainda não fez sua escolha definitiva.
2018: quando a pesquisa não contou a história inteira
Em 05 de outubro de 2018, apenas dois dias antes da eleição, o Ibope divulgou pesquisa para o Senado na Paraíba. Naquele levantamento, Veneziano liderava com 25% dos votos válidos, seguido por Cássio Cunha Lima (22%), Luiz Couto (21%) e Daniella Ribeiro (20%).
Mesmo com a pesquisa divulgada às vésperas da votação, o resultado final foi diferente do esperado:
- Veneziano: 24,63%
- Daniella Ribeiro: 24,25%
- Luiz Couto: 23,10%
- Cássio Cunha Lima: 17,53%
Cássio, que chegou a aparecer à frente em levantamentos anteriores, acabou ficando apenas em quarto lugar. O fator decisivo foi o segundo voto.
O segundo voto como estratégia vencedora
Em 2018, a oposição estava representada por Cássio Cunha Lima e Daniella Ribeiro, enquanto a situação tinha Veneziano e Luiz Couto. O comportamento do eleitor mostrou que muitos votaram em Cássio no primeiro voto e Daniella no segundo, enquanto eleitores governistas dividiram seus votos entre Veneziano e Daniella.
O resultado foi claro: Daniella Ribeiro conseguiu votos dos dois campos políticos, transformando-se na maior beneficiária do segundo voto e garantindo sua vaga no Senado.
O cenário de 2026 e a ascensão de Nabor Wanderley
Em 2026, o desenho se mostra semelhante. A situação tende a concentrar votos em João Azevêdo e Nabor Wanderley, enquanto a oposição, até o momento, apresenta apenas Veneziano como nome consolidado ao Senado nas chapas de Cícero Lucena e Efraim Filho.
Com Cícero liderando as pesquisas para o Governo, com 31% das intenções de voto, é natural que seu eleitor acompanhe Veneziano como primeiro voto ao Senado. O segundo voto, porém, permanece aberto — e é justamente aí que Nabor Wanderley surge como um dos nomes mais competitivos do tabuleiro.
Prefeitos e lideranças regionais, inclusive de grupos ligados à oposição, já admitem publicamente composições em Cícero, Veneziano e Nabor. O mesmo movimento ocorre entre aliados de Efraim Filho, especialmente no Sertão paraibano.
Movimentos de bastidores fortalecem Nabor
Nos bastidores, a leitura política é de que uma base importante de Efraim Filho no Sertão deverá oficializar ainda esta semana apoio a Veneziano e Nabor Wanderley, reforçando a tese de voto cruzado. Esse tipo de aliança regional, muitas vezes invisível nas pesquisas iniciais, costuma ter peso decisivo no resultado final.
Ainda há tempo, mas o ano começa favorável
É fundamental destacar que a eleição ainda está distante e que muita coisa pode mudar até o dia da votação. No entanto, a história eleitoral da Paraíba mostra que o ano pré-eleitoral já começa a indicar tendências estruturais.
Nesse contexto, Nabor Wanderley surge como um nome com grande potencial de crescimento, capaz de repetir a trajetória de Daniella Ribeiro em 2018: um candidato que, mesmo sem liderar pesquisas no início, constrói viabilidade ao dialogar com diferentes campos políticos e capturar o segundo voto.
Conclusão
Se 2018 ensinou algo à política paraibana, foi que o Senado não se decide apenas nas pesquisas, mas na engenharia política do segundo voto. Em 2026, os sinais iniciais apontam que Nabor Wanderley pode ser o principal beneficiário desse modelo, desde que consolide apoios regionais e continue ocupando o espaço deixado pela fragmentação da oposição.
A disputa está aberta — e, como já se viu antes, quem souber ler o segundo voto pode cruzar a linha de chegada na frente.
