O rompimento do vereador Wanderley Rodrigues com a prefeita Solange Félix, em Juru (PB), voltou a movimentar o cenário político local e reacendeu debates sobre sua trajetória. Nos bastidores, a avaliação de aliados da gestão é de que o episódio vai além de uma simples perda política e pode representar, na prática, um alívio para o governo municipal.
O anúncio foi feito nas redes sociais, onde o vereador também divulgou uma entrevista para tratar do tema. A publicação chamou atenção por um erro na data informada, ao mencionar o dia 18 de março, apesar de ter sido divulgada já em abril — detalhe que gerou comentários e reforçou críticas sobre a condução de sua comunicação.
Mais do que o episódio pontual, o rompimento traz de volta discussões sobre o histórico político do parlamentar, marcado por sucessivas mudanças de posicionamento e algumas polemicas. Ao longo dos anos, Wanderley alternou apoios entre diferentes grupos, com rompimentos e reaproximações em momentos distintos.
Em 2020, mesmo após integrar a oposição durante a campanha, declarou apoio à prefeita Solange Félix antes da diplomação. Já em 2024, contou com apoio direto da gestão, sendo eleito entre os mais votados e chegando à presidência da Câmara.
Agora, retorna ao campo da oposição.
Esse histórico tem sido frequentemente citado por adversários e analistas locais como um fator que gera instabilidade nas alianças políticas. A avaliação, nos bastidores, é de que a permanência de um aliado com esse perfil poderia representar incerteza para a base governista, o que faz com que o rompimento seja visto por parte do grupo como um movimento que traz mais previsibilidade ao cenário político.
Além das mudanças de lado, o vereador também esteve envolvido em episódios que repercutiram no município. Durante a pandemia, foi um dos parlamentares que votaram contra propostas relacionadas à distribuição de apoio alimentar para famílias, decisão que gerou críticas à época.
Também foram divulgados por veículos locais relatos sobre participação em eventos com aglomeração em período de restrições sanitárias, além de embates com outros vereadores e críticas direcionadas à imprensa.

Outro caso que ganhou repercussão envolveu declarações direcionadas à vereadora Isabela Teixeira durante sessão da Câmara. Segundo relato da própria parlamentar, ela se sentiu ofendida em relação à sua profissão e informou que acionaria órgãos de proteção à mulher.
Também é citado no debate político local o tema da nomeação de familiares em cargos públicos durante períodos de alinhamento com a gestão, questão levantada por adversários, mas sem decisão judicial definitiva.
Diante desse conjunto de fatores, o rompimento reforça a percepção, entre aliados da prefeita, de que a saída do vereador pode representar mais estabilidade política do que prejuízo administrativo.
O cenário agora é de expectativa sobre os próximos passos do parlamentar e sobre como sua nova posição na oposição irá influenciar a dinâmica política de Juru e para a forma como esse novo posicionamento será recebido pelo eleitorado juruense.