O levantamento mais recente do Índice de Gestão Descentralizada Municipal (IGD-M), referente a dezembro de 2025, revela um dado preocupante: as três cidades do Litoral paraibano com maior população — João Pessoa, Santa Rita e Bayeux — figuram entre as piores gestões do Programa Bolsa Família em todo o estado.
Os dados são oficiais e foram extraídos do VIS DATA 3 – Beta (SAGICAD/MDS), plataforma do Governo Federal que avalia a eficiência dos municípios na execução do Cadastro Único e do Bolsa Família, considerando três indicadores essenciais:
- Frequência escolar (TAFE)
- Acompanhamento de saúde (TAAS)
- Atualização cadastral (TAC)
Quanto menor o IGD-M, menor o repasse de recursos federais e maiores os prejuízos às famílias em situação de vulnerabilidade social.
📉 João Pessoa: pior capital do Nordeste no IGD-M
A capital paraibana aparece na 222ª posição entre os 223 municípios da Paraíba, com IGD-M de apenas 76,17, um dos piores índices do estado.
Os dados evidenciam falhas graves:
- TAFE: 61,6%
- TAAS: 66,69%
- TAC: 88,21%
Na prática, o que mais se comenta entre beneficiários é a dificuldade de acesso ao Cadastro Único. São frequentes as reclamações sobre:
- Agendamentos que demoram meses
- Falta de vagas para atualização cadastral
- Dificuldade de orientação nos CRAS
- Falhas no acompanhamento das condicionalidades de saúde e educação
O cenário demonstra desorganização operacional, baixa articulação entre Assistência Social, Saúde e Educação e impacto direto na qualidade do atendimento às famílias mais pobres da capital.
📉 Santa Rita: denúncias, falhas administrativas e perda de recursos federais
Santa Rita também apresenta desempenho crítico, com IGD-M de 87,99, figurando entre os piores do estado.
Os indicadores revelam:
- TAFE: 97,47%
- TAAS: 66,94%
- TAC: 93,79%
Apesar de um bom índice de frequência escolar, o município sofre com problemas recorrentes na área da saúde e na gestão administrativa do programa. Ao longo dos últimos anos, são inúmeras as denúncias relacionadas a:
- Erros administrativos
- Fragilidade no acompanhamento das condicionalidades
- Má utilização dos recursos federais do IGD
Em 2025, Santa Rita chegou a deixar de receber parte dos recursos federais a que tinha direito, justamente por não conseguir executar corretamente o dinheiro disponível, um reflexo direto da baixa eficiência na gestão do Bolsa Família.
📉 Bayeux: gestão fragilizada e impacto direto nas famílias
Bayeux aparece com IGD-M de 88,04, também entre os piores desempenhos da Paraíba.
Os dados apontam:
- TAFE: 84,86%
- TAAS: 80,37%
- TAC: 93,48%
Embora apresente atualização cadastral relativamente estável, o município enfrenta fragilidades no acompanhamento das condicionalidades, especialmente na integração entre saúde e educação. O resultado é um índice baixo, que compromete:
- O repasse de recursos federais
- O funcionamento das equipes técnicas
- A qualidade do atendimento às famílias beneficiárias
⚠️ O que significa ter um IGD-M baixo?
Um IGD-M baixo não é apenas um número. Ele representa consequências reais, como:
- Redução dos recursos federais para o município
- Menor capacidade de investimento nos CRAS
- Sobrecarga das equipes do Cadastro Único
- Prejuízo direto às famílias em situação de pobreza
- Risco de bloqueios, suspensões e cancelamentos de benefícios
O levantamento mostra que o tamanho do município não garante boa gestão. Enquanto pequenas cidades do interior lideram o ranking estadual, grandes centros urbanos do Litoral enfrentam problemas estruturais, administrativos e de acesso aos serviços básicos do Bolsa Família.


