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Alunos denunciam insetos, larvas e barata na merenda da Escola Olavo Bilac, em São José do Sabugi

Imagens divulgadas nas redes sociais provocaram indignação e levaram a escola e a Prefeitura a emitirem notas de esclarecimento; denúncias sobre a alimentação escolar já haviam sido noticiadas em maio

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Alunos da Escola Estadual Olavo Bilac, em São José do Sabugi, no Sertão da Paraíba, utilizaram as redes sociais para divulgar imagens que, segundo eles, mostram insetos, larvas e até barata em alimentos destinados à merenda escolar. O material repercutiu nesta quinta-feira, 3 de setembro, e provocou preocupação entre estudantes, familiares e moradores do município.

Alunos também entraram em contato diretamente com a redação do Sertão em Destaque para denunciar a situação. Até então, o portal ainda não havia publicado matéria sobre as novas imagens, mas decidiu abordar o caso após o conteúdo ganhar repercussão pública e diante das manifestações oficiais emitidas pela direção da escola e pela Prefeitura de São José do Sabugi.

As imagens divulgadas pelos estudantes mostram o que aparentam ser pequenos insetos e larvas em alimentos associados à merenda servida na unidade. A identificação exata do material e as causas da contaminação, entretanto, dependem de uma inspeção técnica realizada pelos órgãos sanitários competentes.

O caso gera preocupação principalmente porque envolve a alimentação oferecida a estudantes de uma escola pública de tempo integral, onde os alunos permanecem durante grande parte do dia e dependem das refeições disponibilizadas pela instituição.

Problemas na merenda já haviam sido denunciados

Esta não é a primeira vez que alunos e familiares procuram o Sertão em Destaque para relatar problemas envolvendo a merenda da Escola Estadual Olavo Bilac.

Em 4 de maio de 2026, o portal publicou a matéria “Denúncias sobre merenda escolar na Escola Olavo Bilac se intensificam e seguem sem solução, apontam pais e alunos”. Na ocasião, pais e estudantes relataram alimentos supostamente estragados ou mofados, refeições consideradas insuficientes e possíveis problemas no transporte dos produtos.

Na reportagem anterior, também foi informado que a escola funciona em regime de tempo integral e que denúncias relacionadas à alimentação escolar vinham sendo recebidas desde 2025.

No dia seguinte à publicação, a direção da unidade encaminhou um direito de resposta ao portal. No posicionamento, afirmou que as informações divulgadas não correspondiam à realidade e declarou que o caso havia sido esclarecido junto ao Ministério Público, com a apresentação de documentos que, segundo a gestão escolar, comprovariam a regularidade administrativa da instituição.

A manifestação da direção foi publicada integralmente pelo Sertão em Destaque na matéria “Direção da Escola Olavo Bilac contesta denúncias sobre merenda e afirma ter esclarecido caso ao MP”.

As novas imagens divulgadas em setembro, portanto, fazem o assunto voltar ao centro das atenções cerca de quatro meses depois da contestação apresentada pela direção.

Escola confirma presença de insetos e interdita área

Após a repercussão das novas denúncias, a direção da Escola Estadual Olavo Bilac publicou, no dia 3 de setembro, uma nota de esclarecimento e direito de resposta.

No comunicado, a gestão escolar reconheceu a presença de insetos na área da cozinha e na alimentação escolar. A direção informou que a escola funciona provisoriamente em um imóvel alugado pela Prefeitura enquanto a sede oficial passa por reforma.

Segundo a nota, foram identificadas condições no entorno e na estrutura do imóvel que poderiam favorecer a presença e o fluxo de insetos. A escola mencionou, inclusive, a existência de áreas próximas fechadas que, conforme o posicionamento, necessitariam de limpeza e manutenção.

A direção afirmou ainda que já havia comunicado a situação à Secretaria Municipal competente e solicitado, por meio de ofício, a realização de dedetização e outras providências no imóvel.

Enquanto aguardava essas medidas, a própria escola teria realizado ações de dedetização, limpeza geral e higienização da cozinha e dos demais espaços. Conforme a nota, mesmo após as providências, o fluxo de insetos teria continuado.

Diante disso, a direção informou que determinou a interdição da área afetada até que as providências consideradas necessárias sejam adotadas pelos órgãos responsáveis. A situação também teria sido comunicada à Gerência Regional de Ensino.

O material publicado pela escola apresenta fotografias de ações de limpeza, higienização e aplicação de produtos para controle de insetos na cozinha.

“A segurança e a saúde dos nossos alunos são prioridades”, declarou a direção, acrescentando que continuará realizando a higienização do estabelecimento e adotando as medidas que estiverem ao alcance da unidade.

Prefeitura afirma que responsabilidade pela escola é do Estado

Nesta sexta-feira, 4 de setembro, a Prefeitura Municipal de São José do Sabugi também divulgou uma nota de esclarecimento sobre o caso.

A gestão municipal confirmou que alugou, com recursos próprios, o imóvel onde a escola estadual funciona provisoriamente. Segundo a Prefeitura, a iniciativa teve como objetivo impedir que estudantes e profissionais da educação precisassem se deslocar diariamente para outros municípios durante a reforma da sede da Escola Olavo Bilac.

O Município ressaltou, entretanto, que a locação e a cessão do imóvel não transferem à Prefeitura a responsabilidade pela gestão, administração ou funcionamento da unidade estadual.

Segundo o posicionamento, a escola permanece sob responsabilidade da Rede Estadual de Ensino e caberia à gestão escolar e aos órgãos estaduais competentes conduzir as atividades relacionadas ao recebimento, armazenamento, conservação, preparo, manipulação e distribuição da alimentação escolar.

A Prefeitura também contestou a possibilidade de atribuir ao imóvel alugado a origem da ocorrência sem que seja realizada uma apuração técnica capaz de identificar as causas e circunstâncias do problema.

“O Município de São José do Sabugi não possui responsabilidade legal ou operacional pelos procedimentos adotados no manuseio ou preparo da alimentação fornecida aos estudantes da rede estadual de ensino”, afirmou a gestão municipal.

Apesar da divergência sobre as responsabilidades, a Prefeitura declarou reconhecer a preocupação da população e considerar indispensável que situações envolvendo a saúde e a segurança dos estudantes sejam tratadas com máxima seriedade.

Ao final, o Município afirmou que permanecerá disponível para colaborar dentro de suas atribuições institucionais, mas reiterou que a gestão e o funcionamento da Escola Estadual Olavo Bilac são de responsabilidade do Governo do Estado da Paraíba.

Histórico de problemas durante a reforma

Os problemas enfrentados pelos estudantes não se restringem às denúncias relacionadas à merenda escolar.

Em setembro de 2025, alunos procuraram o Sertão em Destaque para relatar condições precárias nos espaços provisórios utilizados durante a reforma da escola. Entre as reclamações estavam problemas em banheiros, falta de estrutura adequada e dificuldades provocadas pela distribuição das turmas em imóveis improvisados.

Na matéria “Alunos da ECIT Olavo Bilac denunciam condições precárias durante reforma da escola em São José do Sabugi”, publicada em 5 de setembro de 2025, o portal mostrou que a reforma e ampliação da unidade haviam sido contratadas por aproximadamente R$ 2,86 milhões e que a conclusão inicialmente prevista não ocorreu dentro do prazo informado.

Um ano depois daquela denúncia, os estudantes continuam tendo aulas fora da sede oficial da instituição e agora voltam a manifestar preocupação com as condições oferecidas no funcionamento provisório.

Comunidade cobra apuração

Com a divulgação das imagens e as diferentes manifestações oficiais, estudantes e familiares cobram uma inspeção técnica que esclareça a origem dos insetos, verifique as condições de armazenamento e preparo dos alimentos e determine quais providências devem ser adotadas para garantir a segurança da merenda escolar.

Também deverá ser esclarecido se a área interditada permanecerá sem uso, de que forma a alimentação dos estudantes será fornecida durante esse período e quais órgãos acompanharão as medidas anunciadas.

O Sertão em Destaque ressalta que as imagens foram divulgadas pelos próprios estudantes e que as responsabilidades pela ocorrência ainda precisam ser definidas por meio de apuração oficial. O portal mantém o espaço aberto para manifestações da direção da escola, da 6ª Gerência Regional de Ensino, da Secretaria de Estado da Educação, da Prefeitura de São José do Sabugi e dos demais órgãos competentes.

Por envolver alimentação, saúde e segurança de crianças e adolescentes, o caso é de evidente interesse público e continuará sendo acompanhado pela reportagem.

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