Uma discussão política nas redes sociais envolvendo o suplente de vereador de Patos Samuel Pinto e um influenciador evangélico ultrapassou o debate sobre candidaturas e chegou a ataques de caráter pessoal. Em um dos comentários registrados por meio de captura de tela, Samuel utilizou a expressão “crente desgraça” ao responder ao influenciador.
Em outro momento da discussão, Samuel também fez um comentário de teor pejorativo após o influenciador manifestar posicionamento político em defesa de Segundo Domiciano.
O episódio ocorreu nos comentários de uma publicação no Instagram que abordava divergências políticas envolvendo integrantes da família do saudoso cantor Pinto do Acordeon e os diferentes posicionamentos em torno da disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa da Paraíba.
Discussão começou após manifestação política
Nos registros obtidos pelo Sertão em Destaque, o influenciador participou da discussão e afirmou que Segundo Domiciano colocaria Samuel “no devido lugar”.
Na sequência, o perfil samuel_pinto_jroficial respondeu utilizando a expressão:
“crente desgraça”
A utilização da palavra “crente” chama atenção porque o destinatário da mensagem é conhecido por sua atuação e produção de conteúdo voltado ao segmento evangélico.
A discussão não parou por aí.
Em outro comentário registrado nas capturas de tela, Samuel escreveu:
“tá trocando os boiga com segundo?”
A expressão foi recebida pelo interlocutor como um comentário pejorativo e uma insinuação de natureza sexual relacionada à proximidade ou ao apoio político manifestado a Segundo Domiciano.
O Sertão em Destaque, entretanto, não atribui à expressão um significado jurídico definitivo. A frase é reproduzida exatamente dentro do contexto em que foi publicada, cabendo eventual avaliação jurídica às autoridades competentes.

Influenciador apagou comentário para evitar mais polêmica e pediu para não ser identificado
Após a discussão, o influenciador apagou o comentário que havia feito na publicação.
Segundo informou ao Sertão em Destaque, a decisão foi tomada para evitar que a situação gerasse ainda mais polêmica.
O influenciador também solicitou expressamente ao portal que, caso o episódio fosse objeto de reportagem, sua fotografia de perfil e seu nome de usuário no Instagram não fossem divulgados, afirmando que não gostaria de ser exposto.
O Sertão em Destaque decidiu atender ao pedido e preservar sua identidade, uma vez que sua identificação não é indispensável para a compreensão dos fatos noticiados.
Por esse motivo, eventuais capturas de tela utilizadas na reportagem deverão apresentar fotografia, nome e identificação do perfil ocultados, permanecendo visíveis apenas os elementos necessários para demonstrar o contexto da discussão.
Apesar de o comentário inicial ter sido posteriormente excluído pelo próprio autor, as capturas de tela realizadas anteriormente preservaram a sequência da conversa.
A exclusão é mencionada apenas para registrar corretamente a cronologia dos acontecimentos e não representa, por si só, reconhecimento de irregularidade por qualquer dos envolvidos.
Samuel Pinto possui atuação na política de Patos
O episódio ganha relevância pública também pela atuação política de Samuel Pinto.
Samuel é filho do saudoso cantor e compositor Pinto do Acordeon, irmão do deputado estadual Cicinho Lima e disputou uma vaga na Câmara Municipal de Patos nas eleições de 2024, ficando na suplência.
Posteriormente, chegou a assumir temporariamente uma cadeira no Legislativo municipal.
Além disso, Samuel participa publicamente das discussões e articulações políticas relacionadas às eleições de 2026, manifestando seus posicionamentos nas redes sociais.
O contexto, portanto, envolve personagens inseridos diretamente no debate político regional, em um momento de intensificação das articulações para as eleições estaduais.
Divergências políticas estão no centro da discussão
A discussão ocorreu em uma publicação que abordava justamente divergências políticas e diferentes posicionamentos envolvendo integrantes da família de Pinto do Acordeon.
No episódio agora registrado, o influenciador manifestou apoio e saiu em defesa de Segundo Domiciano, circunstância que antecedeu as respostas de Samuel.
Divergir politicamente, criticar candidatos e defender projetos ou nomes diferentes faz parte do debate democrático. O episódio, porém, chama atenção porque a discussão deixou o campo exclusivamente político e passou a envolver referência à religião do interlocutor e comentário de caráter pessoal e pejorativo.
“Crente desgraça”: pode haver intolerância religiosa?
A expressão utilizada por Samuel levanta uma questão importante: usar a condição religiosa de uma pessoa como parte de uma ofensa pode ultrapassar os limites da liberdade de expressão?
A legislação brasileira protege tanto a liberdade de expressão quanto a liberdade religiosa, a honra, a imagem e a dignidade das pessoas.
O artigo 140, §3º, do Código Penal prevê tratamento específico para a injúria quando são utilizados elementos referentes à religião para atingir a dignidade ou o decoro de alguém.
Isso, porém, não significa que a utilização de determinada expressão configure automaticamente o crime, nem que esta reportagem esteja afirmando que Samuel Pinto praticou intolerância religiosa ou qualquer outro ilícito.
A caracterização jurídica depende da análise do contexto, da intenção, das circunstâncias e dos demais elementos envolvidos.
Também existe diferença jurídica entre uma eventual ofensa individual que utiliza a religião como elemento depreciativo e atos de discriminação ou preconceito dirigidos contra determinada religião ou coletividade religiosa.
No caso registrado, o questionamento surge porque a palavra “crente” foi utilizada diretamente em referência a uma pessoa conhecida por sua atuação no meio evangélico e acompanhada de expressão depreciativa, durante uma discussão motivada por posicionamentos políticos.
A conclusão sobre eventual repercussão jurídica não cabe ao veículo de comunicação, mas às autoridades competentes, caso sejam provocadas.
Até onde vai o debate político?
O episódio também abre uma discussão que ganha importância à medida que se aproximam as eleições de 2026.
Até onde pode chegar uma divergência política nas redes sociais?
Discordar de candidatos, criticar alianças, defender adversários e questionar posicionamentos fazem parte da democracia. A liberdade de expressão, entretanto, convive com outros direitos constitucionalmente protegidos, entre eles honra, imagem, intimidade e liberdade religiosa.
Transformar uma divergência eleitoral em ataques de caráter pessoal pode deslocar completamente o foco de uma discussão que deveria estar concentrada em propostas, ideias e posicionamentos políticos.
Independentemente de quem esteja certo ou errado na disputa política que originou os comentários, as expressões publicadas levantam uma discussão legítima sobre os limites que devem existir no debate público, especialmente quando agentes com participação política utilizam as redes sociais para responder a cidadãos e adversários.
Espaço aberto para Samuel Pinto
O Sertão em Destaque ressalta que esta reportagem possui caráter jornalístico e se baseia em comentários publicados em rede social e preservados por meio de capturas de tela.
A reportagem não afirma que Samuel Pinto praticou crime de intolerância religiosa, injúria ou qualquer outra infração. O questionamento apresentado no título decorre do conteúdo das próprias manifestações registradas e da utilização de referência religiosa em uma das respostas.
O portal também assegura a Samuel Pinto espaço para apresentar sua versão, esclarecer o contexto das declarações ou se manifestar sobre os comentários.
Caso haja posicionamento, esclarecimento ou pedido de correção relacionado aos fatos objetivos apresentados nesta reportagem, a manifestação poderá ser acrescentada ao conteúdo, preservando o direito ao contraditório e a pluralidade de versões.