Evento tradicional foi ofuscado pela concorrência direta com o São Pedro de São José do Sabugi; barraqueiros amargam prejuízos
A edição 2025 do tradicional João Pedro de Várzea, no Vale do Sabugi, foi encerrada neste domingo (13) com saldo negativo. Apesar da estrutura montada e da contratação de atrações de peso para os padrões locais, o evento registrou o menor público dos últimos 20 anos, frustrando expectativas de barraqueiros, ambulantes e parte da população.
Com apresentações nos dias 11, 12 e 13 de julho, apenas o sábado (12), que contou com Jorge de Altinho e Cavalo de Pau, conseguiu atrair um público mais expressivo. Nos demais dias, o esvaziamento foi visível — inclusive com shows ocorrendo praticamente sem plateia, como o de Fabiana Souto na sexta-feira (11).
Estrutura questionada e baixa movimentação comercial
Além da fraca presença de público, o posicionamento do palco neste ano — montado mais à frente do que em anos anteriores — gerou críticas por ter reduzido a área útil do Parque do Juazeiro, impactando diretamente a circulação das pessoas e as vendas.
A escassez de barracas e trailers, que costumavam dar o tom tradicional à festa, também chamou atenção. A ausência desses elementos comprometeu a atmosfera do evento e gerou prejuízo direto aos comerciantes locais, que contavam com a festa como uma oportunidade de renda extra.
Concorrência direta com São José do Sabugi influenciou no resultado
Um dos pontos mais comentados nas redes sociais e na imprensa regional foi a realização simultânea do São Pedro de São José do Sabugi, cidade vizinha que, neste ano, promoveu uma festa de grande porte, com atrações mais populares. O resultado foi claro: multidões em São José e palcos esvaziados em Várzea. Embora as duas cidades saírem prejudicadas.
Essa coincidência de datas gerou críticas à organização e levantou uma pergunta importante: por que os eventos caíram no mesmo fim de semana?
Sertão em Destaque apurou a origem da mudança de data
O Sertão em Destaque entrou em contato com o prefeito de São José do Sabugi, Emanuel Domiciano, ainda em março, quando as datas dos eventos começaram a ser divulgadas. Emanuel informou que já havia fechado sua programação desde fevereiro e que, ao perceber a coincidência com a data escolhida por Várzea, chegou a conversar com o prefeito Paulo Nóbrega, de Várzea.
Segundo Emanuel, ambos reconheceram a sobreposição, mas afirmaram que já haviam assinado contratos com atrações, o que tornaria inviável alterar as datas naquele momento. Emanuel destacou:
“Continuei com a mesma data que vinha acontecendo nos últimos anos.”
Com isso, fica claro que a mudança no calendário tradicional partiu da cidade de Várzea, que optou por realizar o João Pedro no segundo final de semana de julho, coincidindo com o São Pedro de São José do Sabugi — e quebrando o alinhamento regional que vinha dando certo.
Fim de acordo entre cidades do Sabugi preocupa comerciantes
Nos últimos anos, cidades como São Mamede, São José do Sabugi, Várzea e Santa Luzia vinham seguindo um acordo informal que organizava os eventos de julho em finais de semana distintos, permitindo maior circulação de público e fomentando o comércio local por mais tempo. Antes o São Pedro de São José do Sabugi coincidia com São Mamede, até chegar no acordo feitos nos últimos 8 anos.
O calendário acordado era:
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1º fim de semana: São Pedro de São Mamede
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2º fim de semana: São Pedro de São José do Sabugi
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3º fim de semana: João Pedro de Várzea
Esse modelo permitia que cada cidade tivesse seu espaço, e o público aproveitasse todas as festas. A ruptura desse entendimento em 2025 afetou diretamente os comerciantes, que relatam queda brusca nas vendas em Várzea.
2026 repetirá o erro?
Apesar do saldo negativo, o prefeito de Várzea, Paulo Nóbrega, confirmou em palco as datas do João Pedro 2026, que será realizado entre 9 e 12 de julho — o que mantém o evento no segundo final de semana de julho, novamente coincidindo com São José do Sabugi, caso não haja novo alinhamento.
O que é certo é que o modelo anterior funcionava e trazia benefícios econômicos para toda a região. A expectativa é que, até 2026, haja diálogo entre os prefeitos para evitar uma repetição da concorrência que prejudicou a todos — especialmente os trabalhadores que dependem da festa para complementar sua renda.
