Brasília, 1º de agosto de 2025 – A tentativa do ministro Alexandre de Moraes de reunir apoio unânime dos demais integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) após as sanções impostas pelos Estados Unidos acabou fracassando. De acordo com informações publicadas pelo site Poder360, mais da metade dos ministros se posicionou contra a proposta de assinar uma nota conjunta em defesa do magistrado.
Moraes foi alvo de medidas da chamada Lei Magnitsky, que permite ao governo norte-americano punir autoridades de outros países por envolvimento em violações de direitos humanos ou corrupção. Com a sanção, ele passou a ter restrições a transações financeiras e relações institucionais com os EUA.
Ao tomar conhecimento da punição, Moraes articulou a elaboração de um documento coletivo com apoio de todos os ministros, mas a ideia não teve aceitação da maioria. A proposta foi vista como inadequada por se tratar de um assunto relacionado a uma decisão soberana de outro país. Como alternativa, foi emitida uma nota oficial assinada apenas pelo presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, em tom mais diplomático e sem críticas diretas aos Estados Unidos.
Clima dividido também no jantar com Lula
O impasse institucional também se refletiu em um jantar oferecido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de quinta-feira (31), no Palácio da Alvorada. O encontro foi planejado como um gesto simbólico de apoio a Moraes, mas só seis dos onze ministros do Supremo compareceram.
Estiveram presentes: Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Edson Fachin, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso. Já André Mendonça, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes Marques não participaram.
A ausência de metade dos ministros reforçou a percepção de divisão dentro da Corte. Segundo apuração do Poder360, mesmo entre os presentes houve quem comparecesse mais por protocolo do que por afinidade com a causa. Um exemplo disso foi Edson Fachin, que assume a presidência do STF em breve e entendeu que faltar poderia gerar ruídos institucionais.
Críticas internas e repercussão política
O episódio das sanções e a resposta interna do STF expuseram tensões entre os ministros. Algumas vozes na Corte avaliam que Moraes estaria atuando de maneira demasiadamente política, especialmente após ele afirmar, em decisões recentes, que os Estados Unidos poderiam ser considerados “inimigos estrangeiros” — declaração vista como inoportuna por parte dos colegas.
A repercussão também chegou à arena política. Parlamentares de oposição usaram as redes sociais para ironizar o enfraquecimento do apoio interno a Moraes. O clima de desconforto no STF, segundo o Poder360, permanece evidente, mesmo sem manifestações públicas mais incisivas sobre o assunto.
