A saúde pública da Paraíba viveu um momento histórico nesta sexta-feira (5). O Hospital Regional de Patos realizou a primeira doação de coração do Sertão, um marco que reforça a expansão da rede de transplantes no interior do estado.
A doadora foi Francisca Maria, de 40 anos, natural de Junco do Seridó, que faleceu após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Atendendo a um desejo expresso em vida, sua família autorizou a doação de órgãos. Além do coração, também foram doados o fígado, os rins e as córneas, beneficiando seis pacientes que aguardavam em lista de espera na Paraíba e em Pernambuco.
Avanço para a saúde no interior da Paraíba
Até pouco tempo atrás, captações de órgãos só aconteciam em Campina Grande e João Pessoa. A mudança foi possível graças à formação da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos (CIHDOTT), em 2024, e à aquisição de aeronaves pelo Governo do Estado, que permitem o transporte rápido das equipes e dos órgãos.
Segundo Rafaela Dias, diretora da Central Estadual de Transplantes, o feito é resultado de um grande esforço coletivo:
“Essa doação só foi possível graças ao trabalho de preparação, ao apoio da Secretaria de Saúde e à solidariedade da família da doadora. É um marco para o Sertão e para a Paraíba.”
Solidariedade que salva vidas
A filha da doadora, Maria Vitória, emocionou ao falar da decisão:
“Ela sempre dizia que doar órgãos era um gesto de amor. Apesar da dor da perda, saber que minha mãe ajudou a salvar vidas nos conforta.”
O irmão, José Fernandes, reforçou:
“A dor é grande, mas maior ainda é a alegria de saber que ela continua vivendo em outras pessoas.”
Em homenagem à doadora, foi realizado o “cortejo da vida”, um corredor humano formado entre a UTI e o centro cirúrgico, com aplausos da equipe e familiares.
Números da doação na Paraíba
Somente em 2025, a Paraíba já registrou:
- 9 corações doados
- 28 doações de múltiplos órgãos
- 150 transplantes realizados
Atualmente, 817 pessoas aguardam por um transplante no estado.
A primeira doação de coração em Patos é mais do que um avanço médico: é a prova de que a solidariedade transforma a dor em esperança.
